segunda-feira, 1 de maio de 2017
quinta-feira, 2 de março de 2017
Cientistas encontram
fósseis de 4 bilhões de anos e se aproximam da origem da vida
Cientistas
descobriram o que acreditam ser os fósseis de alguns dos primeiros organismos
vivos da Terra São minúsculos filamentos, pedaços e tubos em rochas localizadas
no Canadá que teriam até 4,28 bilhões de anos. Caso a estimativa de idade dos micro
fósseis esteja realmente correta, o surgimento da vida teria acontecido
"pouco tempo" depois da formação do planeta, há 4,54 bilhões de anos.
Também
representaria um salto de centenas de milhões de anos atrás com relação à
evidência mais antiga até então conhecida. O estudo foi publicado na revista
científica Nature. As conclusões ainda são polêmicas, mas a equipe,
formada por cientistas internacionais, diz acreditar não ter dúvidas quanto à
descoberta. Os supostos micróbios fossilizados têm um décimo da largura de um
fio de cabelo humano e contêm quantidades significativas de hematita - um tipo
de óxido de ferro ou "ferrugem". Matthew Dodd, que analisou as
estruturas na Universidade College London (UCL), no Reino Unido, defende que a
descoberta lança luz sobre as origens da vida. "A descoberta responde a
questões que a humanidade pergunta a si mesma, como: de onde viemos e por que
estamos aqui?", diz. As estruturas fósseis estavam revestidas em camadas
de quartzo no chamado Cinturão Supracrustal de Nuvvuagittuq (NSB, na sigla em
inglês). NSB é um pedaço de antigo leito oceânico que contém algumas das rochas
sedimentárias e vulcânicas mais antigas conhecidas pela ciência.
Polêmica
A
equipe observou segmentos de rocha que provavelmente foram formados em um
sistema de fontes hidrotermais - fissuras no fundo do mar das quais jorra água
aquecida e rica em minerais. Nos dias de hoje, essas fontes são conhecidas como
importantes habitats para micróbios. Segundo
Dominic Papineau, também da UCL, que descobriu os fósseis na província de
Québec, esse tipo de formação foi também, muito provavelmente, o berço de
diferentes formas de vida entre 3,77 bilhões e 4,28 bilhões de anos atrás. Ele
descreveu como se sentiu quando percebeu o significado do material sobre o qual
estava trabalhando. "Pensei comigo mesmo: 'Consegui, consegui os fósseis
mais antigos no planeta'", diz ele. "A descoberta remete às nossas
origens. Para a vida inteligente evoluir a um nível de consciência, ao ponto de
poder remontar à sua história para poder entender sua origem - é
inspirador", acrescentou. Quaisquer reivindicações de vida mais antiga da
Terra são sempre cercadas de polêmica. Isso porque é normalmente difícil provar
que algumas estruturas podem não ter sido produzidas por processos
não-biológicos. Além disso, a análise
desse material é complicada porque as rochas normalmente sofrem alterações. O
NSB, por exemplo, foi espremido e aquecido durante todo esse tempo.
Atualmente, a evidência mais antiga
de vida na Terra vem de rochas de 3,48 bilhões de anos encontradas no Estado da
Austrália Ocidental. O material possui
resquícios de estromatolitos - acúmulos de sedimentos formados por grãos
minerais colados juntos por antigas bactérias. Outra descoberta de
estromatolistos foi feita em agosto do ano passado. A equipe por trás do achado
disse que a evidência fóssil tinha 3,7 bilhões de anos. No entanto, Papineau
reconhece a ideia de que a metabolização de oxigênio pelos micro-organismos tão
cedo assim depois da formação da Terra vai surpreender os geologistas. "Eles não consideraram que havia
organismos respirando oxigênio naquele tempo. Isso traz de volta a produção de
oxigênio para a superfície da Terra, embora em pequenas quantidades, para o
início do registro sedimentar", disse ele. No entanto, Nicola McLoughlin,
da Universidade Rhodes, na África do Sul, que não participou do estudo, lançou
dúvidas sobre as conclusões dos cientistas. "A morfologia desses supostos
filamentos de ferro oxidado do norte do Canadá não é convincente", afirma
ela à BBC. "Em depósitos recentes vemos hastes retorcidas espetaculares,
normalmente dispostas em camadas, mas nas rochas altamente metamorfoseadas do
cinturão de Nuvvuagittuq, esses filamentos são muito mais simples na
forma", explica. "A evidência textural e geoquímica do grafite em
rosetas de carbonato e grânulos de magnetita-hematita é um trabalho cuidadoso,
mas fornece apenas indicações de atividade microbial; não reforça o caso da
biogenicidade dos filamentos", completa.
Ela também diz que a idade máxima
das rochas já se mostrou controversa, e que a idade verdadeira seria
provavelmente mais próxima de 3,77 bilhões de anos. Em parte, o conhecimento
sobre os primeiros organismos vivos interessa porque abre caminho para a
descoberta de outros tipos de vida para além do sistema solar. "Esses
organismos vêm de um tempo quando acreditamos que Marte tinha água em estado líquido
em sua superfície e uma atmosfera similar à da Terra naquele tempo", disse
Dodd. "Sendo assim, se temos formas de vida sendo originadas e evoluindo
na Terra naquele tempo, então podemos ter tido vida originada em Marte".
Se esse for o caso, segundo
Papineau, as recentes missões espaciais da Nasa à superfície de Marte podem
estar buscando sinais de vida em lugares errados. Segundo ele, as missões
Veículos Exploradores de Marte (MER, na sigla em inglês), Spirit e Opportunity,
e mais recentemente a sonda espacial Curiosity, negligenciaram áreas que
poderiam ter tido pedras originadas por fontes hidrotermais. "Na
superfície de Marte, tivemos oportunidades perdidas. O MER-B (Opportunity) em
2003 descobriu formações promissoras, mas não havia análise. E o Spirit passou
ao largo de outra perto da região de Comance na cratera de Gusev",
assinala.
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Nova
espécie do gênero humano é descoberta na África do Sul
Pesquisadores
encontraram ossos de pelo menos 15 hominídeos.
Ela foi batizada de 'Homo naledi' e classificada dentro do gênero Homo.
Grupo de pesquisadores apresentou
nesta quinta-feira (10) na África do SuL os remanescentes
fósseis de um primata que podem ser de uma espécie do gênero humano
desconhecida até agora.
A criatura foi encontrada na caverna
conhecida como Rising Star (estrela ascendente), 50 km a nordeste de
Johanesburgo, onde foram exumados os ossos de 15 hominídeos. O primata foi
batizado de Homo naledi. Em língua sotho, "naledi" significa
estrela, e Homo é o mesmo gênero ao qual pertencem os humanos
modernos.
Os fósseis foram encontrados em uma
área profunda e de difícil acesso da caverna, na área arqueológica conhecida
como "Berço da Humanidade", considerada patrimônio mundial pela
Unesco. Por se situar num depósito sedimentar onde as camadas geológicas se
misturam de maneira complexa, os cientistas ainda não conseguiram datar o
primata descoberto, que poderia ter qualquer coisa entre 100 mil e 4 milhões de
anos.
"Estou feliz
de apresentar uma nova espécie do ancestral humano", declarou Lee Berger,
pesquisador da Universidade Witwatersrand de Johannesburgo, numa entrevista
coletiva em Moropeng, onde fica o "Berço da Humanidade".

Em 2013 e 2014, os cientistas
encontraram mais de 1.550 ossos que pertenceram a, pelo menos, 15 indivíduos,
incluindo bebês, adultos jovens e pessoas mais velhas. Todos apresentavam uma
morfologia homogênea e pertenciam a uma "nova espécie do gênero humano que
era desconhecida até então".
O Museu de História Natural de Londres
classificou a descoberta como extraordinária. "Alguns aspectos do Homo
naledi, como suas mãos, seus punhos e seus pés, estão muito
próximos aos do homem moderno. Ao mesmo tempo, seu pequeno cérebro e a forma da
parte superior de seu corpo são mais próximos aos de um grupo pré-humano
chamado australopithecus", disse Chris Stringer, pesquisador do Museu de
História Natural de Londres, autor de um artigo sobre o tema que acompanhou o
estudo de Berger, publicado no periódico científico eLife.
A descoberta pode permitir uma
compreensão melhor sobre a transição, há milhões de anos, entre o
australopiteco primitivo e o primata do gênero homo, nosso ancestral direto.
Se for muito antiga, com mais de 3
milhões de anos, a espécie teria convivido com os australopitecos, anteriores
ao gênero homo. Se for mais recente, com menos de 1 milhão de anos, é possível
que tenha coexistido com os neandertais -- primos mais próximos do Homo sapiens
-- ou até mesmo com humanos modernos.
Os trabalhos que levaram à descoberta
foram patrocinados pela National Geographic Society, dos EUA, e pela Fundação
Nacional de Pesquisa da África do Sul.


segunda-feira, 27 de julho de 2015
Pode haver vida nas luas de Júpiter e Saturno
Pode haver vida nas luas de Júpiter e Saturno
por Lusa, publicado por Ana Meireles15 setembro 2013
Montagem de Júpiter e os seus satélites Fotografia © Nasa
A astrobióloga portuguesa Zita Martins, do Imperial College of London, co-autora de um artigo científico publicado hoje, acredita que há condições para existir vida nas luas de Júpiter e Saturno, pela importância do gelo na criação de aminoácidos.
"Toda a gente fala de Marte, mas eu acho muito mais interessantes as luas de Júpiter e Saturno, porque têm as condições ideais para a existência de vida", afirmou à agência Lusa a investigadora do Imperial College of London, que tem o artigo publicado hoje, na revista Nature Geoscience.
A convicção foi reforçada pelos resultados de uma experiência realizada em parceria com a Universidade de Kent, na qual foi disparado, a alta velocidade, um projétil de aço contra misturas de gelo, análogas às encontradas nos cometas.
O objetivo era reproduzir o impacto de um cometa com uma superfície rochosa, e o resultado foi a descoberta de vários tipos de aminoácidos, nomeadamente glicina e alanina D e L.
Estes compostos orgânicos são definidos pela cientista portuguesa como "os blocos constituintes da vida", pois estão na origem de proteínas que, por sua vez, são essenciais à existência de matéria viva.
Zita Martins conta que já se sabia que os cometas, astros que na sua composição têm gelo, podem conter aminoácidos, como foi recentemente confirmado pela descoberta de glicina no cometa Wild 2, através de amostras recolhidas pela NASA, a agência espacial norte-americana.
A convicção foi reforçada pelos resultados de uma experiência realizada em parceria com a Universidade de Kent, na qual foi disparado, a alta velocidade, um projétil de aço contra misturas de gelo, análogas às encontradas nos cometas.
O objetivo era reproduzir o impacto de um cometa com uma superfície rochosa, e o resultado foi a descoberta de vários tipos de aminoácidos, nomeadamente glicina e alanina D e L.
Estes compostos orgânicos são definidos pela cientista portuguesa como "os blocos constituintes da vida", pois estão na origem de proteínas que, por sua vez, são essenciais à existência de matéria viva.
Zita Martins conta que já se sabia que os cometas, astros que na sua composição têm gelo, podem conter aminoácidos, como foi recentemente confirmado pela descoberta de glicina no cometa Wild 2, através de amostras recolhidas pela NASA, a agência espacial norte-americana.
Assinar:
Postagens (Atom)