quinta-feira, 11 de setembro de 2014

DESCOBERTA DA ORIGEM DOS MAIMÍFEROS


Descoberta mostra que mamíferos surgiram muito antes na natureza

11/09/2014

  • Zhao Chuang/Divulgação

 
Esquilos" viveram há pelo menos 208 milhões anos, no final do Triássico

            A descoberta de três novas espécies de animais que se assemelham a esquilos e que viveram há pelo menos 208 milhões anos, no final do Triássico, na era Mesozóica, demonstra que os mamíferos surgiram na Terra muito antes do que apontavam pesquisas anteriores, afirma um estudo liderado por cientistas do Museu de História Natural dos Estados Unidos e da Academia Chinesa de Ciências e publicado nesta quarta-feira (10) na revista Nature.

            As três novas espécies Shenshou lui, Xianshou linglong, e Xianshou songae, foram descritas a partir de seis fósseis quase completos de 160 milhões de anos encontrados na China. Os animais se assemelham a pequenos esquilos. Eles pesavam entre 28,3 g a 283,5 g, e suas caudas e pés indicam que eles eram viviam em árvores. "Eram bons escaladores e provavelmente passaram mais tempo no topo das árvores do que os esquilos que conhecemos", afirma o coautor da pesquisa Jin Meng, curador da Divisão de Paleontologia da Academia Chinesa de Ciências. "Esses animais tinham as patas dianteiras e traseiras adaptadas para se apoiar em galhos, mas não tanto para correr no chão". Pesavam entre 28,3 g a 283,5 g; pés indicam que eles eram moradores de árvores

            Dhttp://click.uol.com.br/?rf=geramodulo_foto-carregamento&u=http://h.imguol.com/x.gif?esquilo2e acordo com o coautor do estudo, durante décadas os cientistas têm debatido se o grupo extinto do chamado Haramiyida, do qual fazem parte os "esquilos", pertence ou não ao Mammalia (ou mamíferos, do latim). "Antes, tudo o que se sabia sobre estes animais era baseado em mandíbulas fragmentadas e dentes isolados. Os novos espécimes que descobrimos estão extremamente bem preservados e com base nesses fósseis, agora temos uma boa ideia de como esses animais realmente pareciam, o que confirma que eles são, de fato, mamíferos", explica.

            Os membros do Euharamiyida provavelmente comiam insetos, nozes e frutas com os dentes "estranhos", ou seja, com muitos cúspides (cada uma das pontas formadas na extremidade de atrito dos dentes). Acredita-se que mamíferos evoluíram a partir de um ancestral comum que tinha três cúspides --molares humanos podem ter até cinco. As espécies recém-descobertas tinham duas filas paralelas de cúspides em cada molar, com até sete cúspides de cada lado. A maneira como esse padrão dental complexo evoluiu em relação ao de outros mamíferos tem intrigado cientistas há décadas.

            Três novas espécies foram descritas a partir de fósseis quase completos de 160 milhões de anos apesar da padronização dentária incomum, a morfologia geral, ou seja, as características físicas demonstram que os novos fósseis dizem respeito a mamíferos. Por isso, a nova descoberta demonstra que a divergência dos mamíferos a partir dos répteis deve ter acontecido muito antes do que era estimado.  Em vez de originário do Jurássico Médio (entre 176 e 161 milhões de anos atrás), os mamíferos apareceram provavelmente no final do Triássico (entre 235 e 201 milhões de anos atrás). Este achado está alinhado com alguns estudos que utilizaram dados retirados de DNA.
 

            "O que estamos mostrando aqui é muito convincente de que estes animais são mamíferos e que esses novos fósseis apresentam um novo conjunto de caracteres que pode nos contar muito mais histórias sobre antigos mamíferos", afirma o pesquisador Jin Meng. 

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Cientistas não sabem como classificar misterioso 'cogumelo' marinho

Cientistas não sabem como classificar misterioso 'cogumelo' marinho
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Uma espécie de 'cogumelo' marinho encontrada na costa australiana vem intrigando cientistas – eles não conseguiram encontrar nenhuma classificação para o organismo dentro dos grupos já existentes do reino animal.

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, disse que o minúsculo ser vivo não se encaixa em nenhuma das subdivisões e espécies dos animais conhecidos. Uma situação como essa é bastante rara e só aconteceu pouquíssimas vezes nos últimos 100 anos.

O organismo foi originalmente encontrado em 1986 e é descrito pelos cientistas em um artigo no jornal acadêmico Plos One. De acordo com os autores, é possível notar várias semelhanças com os seres vivos de corpo mole bizarros e enigmáticos que viveram entre 635 e 540 milhões de anos atrás, no período da história terrestre chamado "Período Ediacarano".

Esses organismos também foram muito difíceis de classificar quando foram descobertos. Alguns cientistas chegaram a sugerir que eles fossem "falhas de experiências da natureza na vida pluricelular"

Os autores do estudo reconhecem duas novas espécies de animais em forma de cogumelo: Dendrogramma enigmatica e Dendrogramma discoides. Medindo apenas alguns milímetros de tamanho, os animais consistem basicamente em um disco achatado e uma haste com uma boca na extremidade.

Durante um cruzeiro científico de 1986, cientistas coletaram esses organismos a uma profundidade de 400 a 1 mil metros no sudeste da costa australiana, perto da Tasmânia. Mas os dois tipos de organismos – que tinham uma forma parecida com a de um cogumelo - foram reconhecidos apenas recentemente, após a triagem das amostras globais coletadas à época durante a expedição.
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Novas espécies                   

Duas novas espécies foram descobertas no mar da Austrália. Elas foram nomeadas oficialmente como Dendrogramma enigmatica e Dendrogramma discoides. As criaturas são discos planos com cerca de 1 cm de largura. Dentro dos discos, uma espécie de "ventoinha" de tubos digestivos fornece nutrientes. O centro da "boca" abre-se para o caule, e é, provavelmente, tanto para comer quanto para eliminar resíduos (muitas espécies primitivas têm esse único intestino). Das duas novas espécies, uma tem uma haste mais curta e o disco menor em comparação com a outra, embora a diferença seja de apenas alguns milímetros.
"Encontrar algo assim é extremamente raro, talvez tenha acontecido somente quarto vezes nos últimos cem anos", disse à BBC o coautor do artigo científico, Jorgen Olesen, da Universidade de Copenhagen.

"Nós acreditamos que eles pertencem a alguma parte do reino animal; a questão é qual".

Mistério

O sistema utilizado para agrupar todas as formas de vida na Terra abrange vários níveis, ou "ranques taxonômicos". Um domínio é o ponto mais alto no ranque taxonômico e abaixo dele está um reino. Tradicionalmente, os biólogos reconhecem cinco ou seis reinos, incluindo animais, plantas, fungos e bactérias.

Reinos são divididos em filos, que são agrupados de acordo com semelhanças gerais de forma e corpo. "O que podemos dizer sobre esses organismos é que eles não pertencem ao Bilateria", disse Olesen.

Bilateria é um dos mais importantes grupos animais, cujos representantes apresentam simetria bilateral (os corpos deles são divididos verticalmente em duas metades – da direita e da esquerda – que se espelham uma na outra). Os humanos fazem parte desse grupo.

Os novos organismos encontrados são pluricelulares, mas a maioria não é simétrica, e eles apresentam uma camada densa de um material gelatinoso entre a célula exterior de pele e as camadas de células interiores do estômago.

Os cientistas até encontraram algumas semelhanças com outros grupos animais, como os Cnidaria – o filo composto por corais e águas-vivas – e o Ctenophora, que inclui organismos marinhos como a água-viva-de-pente. Mas os novos organismos encontrados não tinham todas as características necessárias para agrupá-los em uma dessas duas categorias.

Olesen disse que os novos animais podem ser parte de um grupo muito primitivo da árvore filogenética ou algo intermediário entre dois filos animais diferentes.

Ele ainda considera que os cientistas podem eventualmente conseguir encaixar os organismos em algum grupo já existente, como o dos Dendrogrammas, já que há muito pouco conhecimento sobre esse grupo atualmente.

Uma forma de resolver essa questão sobre as afinidades com os Dendrogrammas seria por meio de um exame de DNA, mas para isso novas amostras dos organismos teriam de ser encontradas. As amostras originais foram preservadas primeiro no formol, depois transferidas para um ambiente com 80% de álcool – uma forma de armazenamento que não permite mais fazer análise genética.

Assim, a equipe de cientistas que assina o artigo na Plos One convoca pesquisadores do mundo todo a ficarem atentos para outros exemplos de organismos assim.

"Publicamos esse artigo como um pedido de ajuda. Talvez haja alguém lá fora que possa ajudar a classificar esses organismos", finalizou Olesen

sábado, 6 de setembro de 2014

GENÉTICA MOLECULAR


















FOSSEIS DE DINOSSAUROS ENCONTRADOS NA AMÉRICA DO SUL


Cientistas descobrem esqueleto de dinossauro completo na Argentina

04/09/201415h34

 


FÓSSIL COMPLETO DE DINOSSAURO NA ARGENTINA - O esqueleto de um Dreadnoughtus schrani é exposto em sítio arqueológico durante escavação na Argentina, em foto tirada em 2006 e divulgada nesta quarta-feira (3). Os cientistas anunciaram hoje a descoberta no sul da Patagônia argentina do fóssil bem preservado e completo do dinossauro que pesava 65 toneladas e media 26 metros, com um pescoço de 11,3 metros e uma cauda de 8,7 metros Kenneth Lacovara/Drexel University/Reuters

Uma equipe de paleontólogos apresentou nesta quinta-feira um dinossauro gigantesco que viveu há 77 milhões de anos na Patagônia argentina, com o esqueleto "mais completo" encontrado até hoje.

Este novo dinossauro, descrito na revista Scientific Reports, pertence à família dos titanossauros - dinossauros herbívoros encontrados em grande número no período Cretácico Superior - na região em que esse fóssil foi descoberto em 2005, na província de Santa Cruz (sul). A Patagônia argentina é o local onde habitaram os maiores dinossauros da Terra.

Os cientistas estimam que o animal, que teria um pescoço muito comprido, media cerca de 26 metros de comprimento e pesava 60 toneladas. Seu esqueleto mostra também que quando morreu, ele ainda não teria parado de crescer.

Durante quatro sessões de escavações, entre 2005 e 2009, os palentólogos encontraram mais de 70% dos ossos, exceto os da cabeça, ou seja, mais de 45% do conjunto do esqueleto. Segundo os pesquisadores, é muito mais que os outros titanossauros descobertos anteriormente.

Dinossauro de 230 milhões de anos é encontrado no RS
 
 

Fêmur de dinossauro foi encontrado durante busca em região de rochas do período triássico (de 200 milhões a 250 milhões de anos atrás) em São João do Polêsine, no Rio Grande do Sul Leia mais Lucian Ceolin/Divulgação

Os cientistas também têm praticamente todos os ossos dos membros inferiores e superiores, incluindo um fêmur de 1,80 metro e um úmero. Isso permitiu descrever detalhadamente o animal e calcular de forma confiável suas impressionantes medidas.

Kenneth Lacovara, da universidade americana de Drexel (Filadélfia), coordenou a equipe que estudou o fóssil. Seus principais colaboradores foram Matthew C. Lamanna, do Museu Carnegie de História Natural (Pittsburgh) e Lucio M. Ibiricu, do Centro Nacional Patagônico, na província argentina de Chubut (sul).

Este dinossauro foi batizado de Dreadnoughtus schrani. "Dreadnought" significa "que não teme nada" em inglês antigo.

"Com um corpo do tamanho de uma casa, o peso de uma manada de elefantes e uma cauda usada como arma, o Dreadnoughtus não devia ter medo de nada", explicou Lacovara.

A palavra "dreadnought" também é usada para designar um tipo de encouraçado desenvolvido no início do século passado.

O termo "schrani" é uma homenagem ao empresário Adam Schran, que apoiou as pesquisas.

"Os maiores titanossauros continuam a ser um mistério porque, em quase todos os casos, seus fósseis estão muito incompletos", lembrou Matthew Lamanna.

A massa do Argentinosaurus, por exemplo, era comparável e até superior à do Dreadnoughtus, mas poucos ossos foram encontrados.

"Este é de longe o melhor exemplar que temos de todos os animais gigantescos que andaram alguma vez por este planeta", declarou Kenneth Lacovara.

Para o estudo, o fóssil do Dreadnoughtus foi transferido para os Estados Unidos para ser analisado na universidade de Drexel e no Museu Carnegie de História Natural.

A universidade de Drexel indicou em um comunicado que o fóssil, que pertence ao governo federal argentino e deve permanecer na província de Santa Cruz, terá que ser devolvido ao Museu Padre Jesús Molina, em Río Gallegos, em 2015.

 

Arqueólogos recuperaram 50 vértebras da única cauda articulada de um dinossauro descoberta no México. Os restos pertencem a um hadrossauro de 72 milhões de anos e somam cinco metros, quase a metade do comprimento do herbívoro. Os ossos foram encontrados em 2005 em uma jazida de Coahuila, mas só começaram a ser escavados no último dia 2 de julho, segundo o Instituto Nacional de Antropologia e História do México

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

FÓSSIL DE NINHO DE DINOSSAUROS


Fóssil de ninho de dinossauros com "babá" é descoberto na China

Ninho de psitacossauros com 24 pequenos esqueletos e o crânio de um adultoUm ninho de dinossauros de 120 milhões de anos foi encontrado na província de Liaoning, no nordeste da China, em uma situação inusitada. Em meio aos 24 pequenos esqueletos há o crânio de um dinossauro adulto, o que parece ser a de uma espécie de "babá" cuidando dos filhotes.

Todos os fósseis de dinossauros encontrados juntos em uma rocha de 60 cm pertencem à espécie dos psitacossauros (Psittacosaurus lujiatunensis), um herbívoro que media de um a dois metros de altura e caminhava sobre duas patas. Para os pesquisadores, a disposição dos fósseis sugere que o dinossauro adulto cuidava dos pequenos.

Os 24 esqueletos menores são semelhantes em tamanho, com cerca de 15 cm de comprimento. Já o crânio do maior tem cerca de 11 centímetros de comprimento, indicando idade entre 4 e 5 anos. 

Como descobertas anteriores sugerem que a espécie não se reproduzia antes dos 8 ou 9 anos de idade, a hipótese levantada pelos pesquisadores é de que o adulto do ninho não é um dos pais dos filhotes. 

Os filhotes, ao que parece, já tinham saído dos ovos, pois não há vestígios de cascas. Como as extremidades dos seus ossos parecem bem desenvolvidas, provavelmente os animais eram capazes de se mover pelo ninho. 

Fósseis revelam como eram os animais pré-históricos24 fotos

Equipe da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, analisou um fóssil achado em 2006 e descobriu uma nova espécie de dinossauro, que é "parente" do triceratops. O "Nasutoceratops titusi" (foto), que viveu há 75 milhões de anos no meio-oeste norte-americano, tem um focinho longo e chifres excepcionalmente grandes, os maiores do seu grupo. O peso de três toneladas e o comprimento de cinco metros conferia uma aparência intimidadora, mas o dinossauro era herbívoro e se alimentava apenas das plantas dos arredores pantanosos Leia mais Raúl Martín e Divulgação

Para os cientistas que fizeram a descoberta, o achado ajuda a lançar luz sobre a sociabilidade desses répteis. Os mais antigos ninhos de dinossauro datam de 190 milhões anos. A existência desses vestígios sugere que mesmo os primeiros dinossauros já exibiam comportamentos familiares complexos. 

"É um dos mais belos fósseis de dinossauros já encontrados", diz Brandon Hedrick, paleontólogo de vertebrados da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia (EUA), e líder do grupo de cientistas responsáveis pelo achado. 

Para os pesquisadores, o comportamento de algumas aves pode elucidar o que ocorria no ninho dos psitacossauros da região chinesa. Segundo Hedrick, é possível encontrar entre aves "crias mais crescidas ajudando os pais a cuidarem das novas ninhadas, ao invés de iniciarem suas próprias". A classe das aves é considerada pelos cientistas como herdeira dos dinossauros. 

A rocha que envolvia os fósseis encontrados na China é constituída de material vulcânico, indicando que eles foram pegos de surpresa por um lahar, material fruto de uma erupção. Assim, uma outra hipótese levantada é a de que o dinossauro adulto acabou sendo depositado junto dos pequenos pelo movimento do lahar durante a erupção. 

Os cientistas pretendem analisar a estrutura microscópica dos ossos dos animais menores para verificar se todos estavam no mesmo estágio de desenvolvimento para checar se eles de fato interagiam. 

Os cientistas detalharam suas descobertas na edição de setembro da revista Cretaceous Research. (Com a Livescience)

Ilustrador reconstrói cenas do cotidiano dos dinossauros10 fotos

O encontro raro, porém provável, entre tubarões gigantes, cujo diâmetro da mandíbula é estimado em 3,35 metros, e um mamífero de médio porte da mesma ordem dos elefantes (Proboscidea) é retratado nesta imagem do premiado ilustrador Julius Csotony e faz parte do livro The Paleoart of Julius Csotonyi, lançado este mês. A ilustração está exposta em painel retroiluminado no hall de Paleontologia do Museu de Ciência Natural de Houston, no Texas Julius Csotonyi/Reprodução